terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

E aqui no peito é tudo tão
Movediço
E aqui no meio dos meus seios é tudo
Tão
Por baixo da pele branca buracos negros
E por cima da cratera roxa
Um gosto espesso que transborda os vãos dos dentes
E por baixo a areia em secura tão só
e aqui tão
eu
e as cascas ainda demovem
e a estaca de seus ossos
nos meus
parênteses eternos
e aqui por entre os mamilos tudo igual
um fio um eixo de
gravidade que me conecta lentamente aos seus
e mais tarde
poeiras púrpuras sairão dos vãos dos olhos
e a pele arrancarei toda
até que a dor nos separe.  

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Apenas duas mãos

levo comigo o segredo do mundo
e o mundo me leva em secreto sigilo

guardo contigo o universo singelo
de te ter em mim em murmúrio contido

desato nós do passado
de fios amarrados pelo futuro

emaranhados pelo presente
respiro no teu peito
a implosão do caos rarefeito

quarta-feira, 8 de julho de 2015

sinto na boca um gosto de anzol
novamente sendo fisgada
e jogada de volta ao mar

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Ao amigo Vitor M. Rigotti

viver
como se fosse
da primeira vez

abraçar 
cada momento
como se fosse o
último

se despedir 
pois tudo que é livre
deságua 
no mar da saudade

domingo, 8 de fevereiro de 2015

me enlaço em cada tropeço meu
me desfaço de cada acerto seu

estrada

chão que me consome
me tome de súbito
te risco de sol
e busco saudade
brisa
bagunce meus pensamentos verdes
e deixe
que minhas pálpebras pesem
o horizonte
inspiro mais do que posso
fios de poeira
caminho
e acaricio o tempo com o aceno do destino
e amacio o vento com o sabor do riso
que risca o asfalto de sonhos

em desencontro
me encontro

Un tango para dos

al amigo Alan Sacco


yo siento gusto de sangre
de muerte del sueño
que un dia tuve

pienso en el imposible
y descreo
en crerme tan sola
confio demasiado

voy a parar, voy a murir
un poco más
y despues, quien lo sabe,
me despierte
y en el sueño vea
que cada sueño
es pesadilla
y que todo eso
hace parte del equilibrio