domingo, 25 de janeiro de 2015

"Lembrou o riso que eu tinha e esqueci entre os dentes"

clarão verde a despertar
buracos de céu procurando espaço no balançar das folhas
sombra e luz brincando de esquecer o tempo
tilintavam, dançantes, efêmeras, escorregando
aos olhos que pesavam
sono de não viver
sonhar de partir

fez da solidão sua única companheira.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Poema do dia seguinte


ao F.T.


as flores ainda latejam em minha nuca
negras lúgubres pétalas de saudade
à espera

meu tempo se chama nunca
grito no escuro do impossível
esperança

os sons se calam e reverberam no silêncio
estendo as mãos ao inalcançável
desespero

a tristeza é tanta para pouca lágrima
esquecida nos secos olhos quase verdes
despedida

me escondo te escondendo em mim
lembranças do que nada será
desapego

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Estou só e não resisto

Rugas de pedra
rachaduras pulsantes
caminhares confusos
pelas lembranças
andanças dançantes
girassóis que rodopiam
ventos encharcados
frêmidos freantes
secos áridos
pelo sonâmbulo
sol

mas eu já
e minha voz
não sou
ecos dissonantes
mais eu
gritos perdidos
e você já
vagando mundos
não é
entrelaçados
você

riscos cortantes
estradas partidas
estrelas quebradiças
sulcos que sugam
esperança





terça-feira, 29 de abril de 2014

Em vão

Me fecho em semi-círculo
dos olhos que se esgotam
em gotas de silêncio
em gotas de vazio
que pingam
sem nunca alcançar
o chão

o ciclo não se fecha
o vento assovia sem fôlego
o mar anseia pingo
e o orvalho seca,
seca para nunca mais

voltar,  a ser
sereno e

ser e

no


ser




não












ser

terça-feira, 15 de abril de 2014

"Soneto" da des-perdida (ou do des-espero)

Me despeço da tristeza,
do não poder mais,
dos olhares que fugiam
dos olhos que não são mais teus.

Não quero mais querer.
Me des-faço do não feito
de meu peito que é só
o que não foi.

Caminho pelo vento
que respiro, sem mais
dor, sem mais

talvez, só peço a despedida
do impossível, do não ser
de você.